Poetize-se 2024: resultados
- bibcentro
- 2 de dez. de 2024
- 3 min de leitura

O ano de 2024 foi um marco para o Projeto Poetize-se: pela primeira vez tivemos o apoio do Núcleo de Arte e Cultura, o que permitiu uma evolução nas premiações e nas artes gráficas. Também tivemos a participação de alunos de vários campi, o que cumpre o nosso objetivo de levar a poesia a todo o Colégio.
Neste ano, o tema foi "Quem é você?”, que nos permitiu refletir sobre a nossa essência e nos posicionar no mundo em que vivemos, desbravando obstáculos e nos ajudando a desenvolver resiliência.
A banca de avaliação foi composta por dois Técnicos Administrativos de nível superior e dois docentes do Colégio Pedro II.
A Biblioteca da Prôa agradece a todos os candidatos que participaram e traçaram num papel o nosso presente. Sem vocês, o mundo seria mais triste! Também, claro, aos engajados no Projeto Poetize-se, assim como aos avaliadores da banca; à nossa equipe, ao comunicador do Campus Centro, Camilo; à Comunicação do CPII; ao Núcleo de Arte e Cultura do CPII e às nossas alunas artistas Letícia da Silva Malagueta e Edelweiss Soares Martins pela arte do “Poetize-se 2024”.
Os três poetas e as três poesias que mais se destacaram foram:
1º lugar: "Vestindo Peles" (Igor dos Santos Ferreira - Graduação em Ciências Sociais 2024 - Realengo)
2º lugar: "Casinha" (Raquel Vitória Barbosa Corrêa - Turma 2206 - Realengo II)
3º lugar: "Identidade terceirizada" (Giovanni Henriques Fraga - Turma 1205 - Centro)
Vestindo Peles
Fui o que pensaram
Sou o que fizeram
Mas serei o quê?
Sobre viver
Entre conflitos
Para extrair
Quem sonegado
Fruto
De imagens nas vitrines
Casinha
Fui descobrir de que era feita
minha casinha tão perfeita.
Ela era diversa,
mesmo que sempre estivesse dispersa.
Os alicerces, feitos de um tempo passado,
foram construídos por pés que andaram sem ter chegado,
força, sangue e dor,
De uma linda cor.
Olhei para os tijolos, e eram encantadores,
cheios de sentimentos, expressões e amores.
Ah, eles são como a arte
da existência, a melhor parte.
Minha casinha é feita de tudo,
um pouco sobre cada parte do vasto mundo.
Mas quem olha de fora, certamente,
vê arte,
amor
e dor.
Identidade terceirizada
Antes de te dizer quem sou
Preciso entender o que me fez
Será que foi o pincel do universo
Ou os roteiros rasos da sociedade?
Perguntas das quais não sei responder
O que de fato é o meu ser?
Um aglomerado de significados intrínsecos
Ou uma projeção de comportamentos desejados?
É estranho aceitar o fato
De que te conheço mais do que conheço a mim mesmo
E perceber que essa ausência de autoconhecimento
Se origina da terceirização da minha identidade
Para a pessoa que me decifra
O que de fato sou por trás das cortinas?
Um ator carente de independência existencial
Ou um dramaturgo desorientado em sua própria peça?
Talvez um pouco de ambos, talvez poesia
No fundo, decifrar quem eu sou será uma tarefa hercúlea
Pelo fato de não possuir uma existência própria
Moldando cada traço de mim
No tribunal de julgamentos sem fim
Da sociedade que é autoritária assim
Talvez o único modo de verbalizar quem sou
Seria me entregando ao silêncio da ignorância
Essa que valoriza a insurgência
Sobre a oposição externa da essência
No fim, sua pergunta irei responder
O que sou é algo que ainda irei escrever
Pois, nessa poesia que estás a ler
Iniciei o meu eu antes de você
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